A 4ª edição da Revista Traço emerge atravessada pelo tema Tempo e Lugar, sustentando-se entre continuidade e ruptura. Continuidade de um projeto que aposta na pluralidade da escuta, na escrita implicada com a experiência clínica e na circulação dos discursos que fazem a psicanálise mover-se. Ruptura, porque cada edição impõe novas perguntas e deslocamentos éticos e políticos que nos convocam a pensar o que se transforma e o que insiste no ponto de intersecção entre o sujeito, o tempo que o constitui e o lugar que o inscreve.
Nesta edição, reunimos textos que se debruçam sobre processos formativos, redes de cuidado, produção de subjetividade e experiências clínicas que tensionam o modelo normativo da psicanálise. Entre memórias, presenças e deslocamentos, abre-se um convite à escuta do outro a partir do que nele insiste, resiste, silencia ou faz furo no campo do sentido.
As colaborações provêm de diferentes tempos de percurso e de múltiplos lugares de enunciação – profissionais em formação e em exercício, vozes que ressoam tanto nos espaços institucionais quanto nas bordas e periferias. Esse conjunto compõe um corpo heterogêneo, atravessado pelo desejo de pensar a psicanálise como prática viva, situada e implicada no tempo que nos habita.
Os registros que compõem esta edição guardam as marcas do encontro entre sujeito e campo simbólico, entre tempo e inscrição, sem perder de vista as tramas que os antecedem e as que se anunciam. Permanecem atentos às transformações que se fazem necessárias para acolher o que insiste em se dizer – como o papel que acolhe o Traço e aponta para o porvir.
Arte animada “Constelações”
ilustração felipe corsini
bordado adriana bragotto
Arte estática “But it gets lonely there”
ilustração felipe corsini